E VAI COMEÇA!
E aquele momento que todos os fãs de Fórmula 1 esperavam finalmente chegou. Estamos a poucas horas do início do primeiro treino livre para o GP da Austrália, no Albert Park, em Melbourne, marcado para as 22h (de Brasília), com transmissão ao vivo do canal SporTV. A pré-temporada deste ano não foi das mais animadas, com três sessões de testes em fevereiro nos circuitos de Jerez de la Frontera e de Barcelona (duas vezes). E o grande atrativo (ou não) foram os horrendos bicos quebrados adotados por 10 das 12 equipes (menos McLaren e Marussia). OK, foi por motivos de segurança (para evitar riscos nos choques laterais: clique aqui e leia mais). Mas é bom que a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) pense em uma solução melhor para 2013.
Os resultados dos testes, para variar, foram muito pouco conclusivos. Vimos Williams, Force India e Sauber liderando as tabelas de tempos em alguns dos dias. O que isso quer dizer? Absolutamente nada: as equipes costumam variar muito o nível de combustível usado em seus carros. As grandes – RBR e McLaren, principalmente – optaram por trabalhar no acerto de corrida, trabalhando com as chamadas long runs, longos trechos na pista sem fazer pit stops. A Mercedes também parece estar bem, com um carro confiável. A equipe alemã não perdeu tempo, como nos últimos dois anos, para resolver problemas durante os testes. E a Ferrari?
“Crise na Ferrari!” Se estivéssemos ouvindo um noticiário de futebol no rádio, com certeza essa frase seria dita. A situação lá em Maranello não é das melhores. O carro, o primeiro sob responsabilidade do time liderado pelo inglês Pat Fry, ex-McLaren, rompeu com os conceitos usados nos dois fracassados modelos anteriores. Uma mudança radical, como fez questão de frisar o time italiano. Mas a ousadia da equipe vermelha não parece ter surtido efeito na pista: Fernando Alonso e Felipe Massa sofreram com o desempenho do carro durante todos os testes. O F2012, aliás, foi um dos modelos que menos foi trabalhado em condições de corrida nos testes. E os dirigentes ainda afirmaram que o pódio nas primeiras corridas é apenas um sonho distante. Para completar, rumores já dão conta da chegada de um novo carro para o GP da Espanha, início da temporada europeia.
Nas equipes médias, quem mais parece ter crescido foi a Lotus. Após um ano fracassado com a aposta no escapamento dianteiro e com o acidente de Robert Kubica, a equipe (agora) inglesa apostou nos retornos do campeão Kimi Raikkonen e do francês Romain Grosjean (com o bolso cheio de euros da petrolífera francesa Total). Apesar de um problema com o chassi no segundo teste da pré-temporada, o E20 parece ser bem nascido, tanto que seus dois pilotos andaram bem em diferentes condições de acerto. Além dela, a Force India vem forte, com um bom modelo e uma promissora dupla de pilotos: o escocês Paul di Resta e o alemão Nico Hulkenberg. Outra equipe que pode surpreender é a Sauber do japonês Kamui Kobayashi e do mexicano Sergio Pérez. Nesta, a incógnita é saber se o dono Peter Sauber continuará a investir durante o ano, o que não é normal.
E ainda faltou falar da STR, que vem com uma dupla formada por novatos: o australiano Daniel Ricciardo e o francês Jean-Eric Vergne. O clima dentro da equipe coirmã da RBR promete não ser dos melhores, mas o carro andou muito bem nos testes. Os dois pilotos disputam claramente a segunda vaga no time principal, já que o contrato de Mark Webber foi renovado apenas para esta temporada. Quem andar melhor, obviamente, terá mais chances. O fato é que a disputa no pelotão intermediário da Fórmula 1 em 2012 promete ser a mais acirrada dos últimos tempos. O desempenho dos carros está bem próximo e detalhes serão decisivos no campeonato.
E a Williams, hein? De fato, o novo carro parece melhor do que o do ano passado – o que não era difícil, convenhamos. Bruno Senna e Pastor Maldonado andaram muito na pré-temporada sem o FW34 apresentar problemas. O venezuelano, inclusive, chegou a liderar a tabela de tempos em um dia. O que isso quer dizer? Infelizmente, nada. Ainda é cedo para saber se a equipe inglesa vai entrar na briga do pelotão intermediário ou vai se limitar a tentar ficar na frente da Caterham – que parece ter evoluído em relação a 2011 – na rabeira, à frente apenas de Marussia e HRT. A boa confiabilidade é um trunfo para as primeiras provas, mas não é o bastante.
- Decisão para os brasileiros
O que esperar dos brasileiros nesta temporada? Boa pergunta. Felipe Massa e Bruno Senna entram em um ano decisivo em suas carreiras. Os dois têm contratos com vencimento no fim de 2012 com suas equipes – Ferrari e Williams, respectivamente – e precisam mostrar serviço. No caso do vice-campeão de 2008, ele tem de ficar na frente (ou andar ao menos no mesmo ritmo) do companheiro Fernando Alonso até o meio do ano. Uma tarefa bastante árdua, diga-se de passagem. O carro também não ajuda, por todas as condições citadas anteriormente. É um ano em clima de ultimato para Massa, se ele quiser continuar na equipe italiana em 2013.
E a tarefa do sobrinho do tricampeão Ayrton Senna não é mais fácil, muito ao contrário. Ele teve sua primeira pré-temporada propriamente dita em 2012 com a Williams. Nas últimas duas temporadas, ele correu pela Hispania – que levou seu carro pronto apenas para a Austrália – e pela antiga Renault-Lotus, em substituição ao alemão Nick Heidfeld no meio do ano – fez apenas um teste. O trabalho foi muito bom, elogiado pelos engenheiros da Williams. Mas resta ver se seu talento e o aporte de verba verde e amarela levada por ele (em operação capitaneada pelo milionário Eike Batista) será suficiente para garantir seu futuro na Fórmula 1 além deste ano.
- Seis campeões na pista
Após todo esse verdadeiro raio-x da temporada, ainda temos o inédito fato de seis campeões estarem na pista juntos. Além do atual bi Sebastian Vettel, da RBR, ainda temos Michael Schumacher (hepta), na Mercedes; Fernando Alonso (também bi), na Ferrari; Jenson Button e Lewis Hamilton (um cada), na McLaren; e Kimi Raikkonen (também um), na Lotus. Uma temporada histórica, em suma. E tudo isso começa neste fim de semana em Melbourne, com o treino classificatório (sábado) e a corrida (domingo) às 3h na Rede Globo. Imperdível!
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